logotipo vinhos.online

 

Este Site é independente!
Não está associado a nenhuma entidade produtora, engarrafadora, distribuidora, reguladora, ou quaisquer outras.
"A batalha pelo mercado do azeite"
Notícia in Revista "Dia D", Público de 02-01-2006
autor(es): Ana Almeida Martins


Já passaram 20 anos, mas Maria do Carmo Rabaçal Aragão ainda hoje se lembra da reacção das pessoas quando passou a embalar o seu azeite em garrafas quadradas.

"Na altura, eram todas redondas e quando comecei a vender azeite em garrafas quadradas os clientes estranharam muito, dizendo que pareciam frascos de xarope", recorda, divertida, a fundadora da M. C. Rabaçal & Aragão, empresa criada em 1982 e que cuja inovação também passa pelo tipo de azeite que produz e comercializa: azeite biológico (Alfandagh) e azeite D.O.P. - De Origem Protegida (Casa Aragão e Casal da Vilariça). São pequenas inovações que hoje estão generalizadas em várias marcas e que se tornaram quase banais, mas o mesmo não se pode dizer de outra estratégia de diferenciação que esta pequena empresa de Alfândega da Fé introduziu no mercado há um ano e meio: rótulos em braille. Embora já existam medicamentos e vinhos com embalagens pensadas também em função dos invisuais e amblíopes, o certo é que, para já, "mais nenhuma marca de azeite do mundo tem rotulagem em braille", garante Maria do Carmo Rabaçal Aragão. Uma estratégia que prova que "a inovação não é só tecnológica mas também social".

É com estas apostas na diferenciação e inovação que as marcas portuguesas de azeite tentam ganhar espaço no mercado altamente competitivo em que operam. Desde a marca líder, Gallo, até à sua maior rival, o Oliveira da Serra, passando por uma série de produtores de menor dimensão, todos tentam criar novas formas de atrair e fidelizar clientes, definindo estratégias que vão para além do preço. É exactamente isso que tem tentando a M.C. Rabaçal & Aragão com o investimento na produção de azeite biológico, na modernização tecnológica, na criação de rótulos em Braille, entre outras inovações. Mas, mesmo sendo original e socialmente responsável, estas iniciativas ainda não valeram nenhuma distinção às marcas da M. C. Rabaçal & Aragão. Vendendo em Portugal, mas também no Brasil (onde tem uma filial), Alemanha, Suíça, Bélgica e França, esta empresa está agora em vias de entrar em Inglaterra, através da prestigiada cadeia Harrods, assim como no Japão e na China, onde já fizeram alguns contactos. O segredo está nas muitas viagens que Maria do Carmo Rabaçal Aragão faz por ano a feiras internacionais, provando que, apesar de pequena, a sua empresa não prescinde já da dimensão internacional nem do reconhecimento obtido por diversas distinções.
Apostando inicialmente apenas em lojas gourmet do Porto e Lisboa e na infalível publicidade boca-a-boca, hoje a M. C. Rabaçal & Aragão já investe em publicidade na imprensa e está também na grande distribuição, onde entrou há alguns anos graças à genica empreendedora de Maria do Carmo, que bateu a todas as portas das grandes superfícies, estando hoje presente no Modelo/Continente e no Jumbo, assim como no El Corte Inglès. Fornecendo também alguns hotéis, a M.C. Rabaçal & Aragão em breve passará a colocar as novas embalagens - unidoses ou galheteiros - para servir à mesa, fruto das novas exigências de higiene e segurança do canal Horeca (hotéis, restauração e cafés).
Uma inovação que a Oliveira da Serra, antecipando-se ao novo quadro legal, já pôs em prática, com o lançamento de doses individuais de azeite e vinagre (em saquetas ou garrafas de 20 mililitros) e embalagens com cápsulas invioláveis que impossibilitam o reenchimento. Tendo vendido no último ano cerca de sete milhões de litros de azeite, esta marca da Sovena (do Grupo Nutrinveste) opera no mesmo sector da M. C. Rabaçal Aragão, mas compete a um nível muito mais elevado, directamente com a Azeite Gallo, actual líder de mercado em termos globais. Com uma quota de mercado de 22 por cento por cento e apenas a 0,9 por cento de distância da líder, a Oliveira da Serra ocupa o segundo lugar do ranking, liderando "no sector do hipermercados e no mercado dos azeites Virgens Extra", revela o Director de Marketing, Ricardo Castêdo.

Graça "ao seu comportamento no mercado, longevidade, goodwill, fidelização e aceitação pelos consumidores", o Oliveira da Serra foi considerada uma Superbrand em 2005, uma distinção a que não é alheia a constante inovação desta marca criada no Porto em 1963 e comprada pela Sovena, do grupo Nutrinveste, em 1992. E foi precisamente a pensar no "consumidor moderno, que aprecia os prazeres da vida e a evolução do azeite na cozinha", que a marca decidiu dinamizar a categoria de azeites aromatizados e relançou a gama Oliveira da Serra Sabores em 2005 com uma gama de azeites Virgem Extra que alia o Azeite a sabores exóticos como Manga, Limão, Canela e Azeitonas Pretas.
Presente em mais de 80 por cento do negócio da distribuição em Portugal, o Oliveira da Serra "tem vindo a apostar seriamente na inovação e dinamização do mercado nacional através do lançamento de produtos que facilitem o dia-a-dia do consumidor", explica Ricardo Castêdo. E por isso esta marca lançou já no final deste ano o "Clássico Virgem Extra" em pacote Brick asséptico de um litro, "contribuindo para uma mais adequada preservação do azeite e facilidade de utilização diária", acrescenta.

Mas como a inovação não passa só pelos produtos mas também pelas estratégias de comunicação, o Oliveira da Serra - que conta com mais de 20 referências de artigos - começou também a entrar nos lares portugueses através da campanha "Oliveira da Serra em Quatro Tempos", um conjunto de mini-programas de culinária onde são apresentadas receitas e dicas, sempre com azeite e apresentação do chef Vítor Sobral, consultor da marca. Uma produção que, segundo Ricardo Castêdo, "foi efectuada em tempo real, ou seja, sem cortes ou truques, contribuindo para uma maior autenticidade e empatia com o espectador". Por outro lado, o Oliveira da Serra lançou recentemente um DVD culinário, "o primeiro em Portugal", que reúne todas as receitas daquela campanha.

Presente também na Internet, o "Clube do Sabor Oliveira da Serra" permite ao consumidor aceder a dicas e receitas inovadoras e, fora de portas, este clube tem marcado presença em diversos eventos gastronómicos, desportivos ou culturais, de Norte a Sul do país, através de um espaço dinâmico, com uma cozinha móvel, em que o Oliveira da Serra oferece aos consumidores mini-aulas de cozinha conduzidas por chefs conhecedores e qualificados, sob a orientação de Vítor Sobral. Depois, conta Ricardo Castêdo, "seguem-se as provas de degustação, destinadas a ensinar a distinguir os vários tipos de azeite, como os utilizar e o porquê de escolher azeites diferentes para pratos diferentes". Estratégias inovadores que pretendem uma maior aproximação ao consumidor e que, em 2005, fizeram da marca Oliveira da Serra a campeã dos investimentos em comunicação.

Seca sobe os preços

O preço do azeite tem vindo a aumentar para os consumidores e essa subida tem uma explicação muito clara: a subida de preço das azeitonas que, explica Ricardo Castêdo, se deve em grande parte "ao cenário de seca que assolou toda a bacia mediterrânica, em particular o nosso país". Uma realidade que também afectará as contas de Maria do Carmo Rabaçal Aragão. Tendo facturado em 2004 cerca de 600 mil euros, as vendas este ano ficarão um pouco aquém. Isto porque, lembra, "devido à denominação D.O.P (origem protegida), a M.C. Rabaçal & Aragão não pode comprar azeitona a Espanha, como outras empresas". Fica a esperança de que este ano não haja seca em Trás-os-Montes.


<< Página Anterior

     

 

Todos os direitos reservados. © 1997-2016 VinhosOnline
Os nomes, logotipos e marcas registadas apresentados neste site são propriedade dos seus respectivos detentores.